Mapeamento do território
Imersão em cada ilha antes de qualquer oficina: comunidades, parceiros locais, tensões sociais. A paisagem e a cultura da ilha tornam-se matéria dramatúrgica.

O que fazemos · Arte
Cada edição d'A Costela de Lilith é uma residência artística comunitária. Mulheres de cada ilha tornam-se coautoras de um espetáculo que nasce das suas próprias histórias.
O projeto
A Costela de Lilith é um projeto de teatro comunitário que se reinventa a cada edição. Cada ilha dos Açores é um território novo — com a sua própria paisagem, memória e voz — e por isso cada criação é diferente da anterior. Durante vários meses, um grupo de mulheres — sem qualquer experiência prévia exigida — encontra-se semanalmente para transformar as suas histórias de vida em matéria cénica.
O ponto de partida é o mito de Lilith: a mulher que recusou submeter-se e foi apagada da narrativa oficial. A partir dessa figura, o projeto pergunta que histórias de mulheres continuam por contar em cada território insular — e devolve-as ao espaço público, em cena.
O resultado é sempre duplo: um espetáculo apresentado na própria ilha, coescrito pelas participantes, e uma rede de cuidado e confiança que permanece muito depois da última apresentação.
Metodologia
A metodologia cruza teatro do oprimido, pedagogia somática de Jacques Lecoq e escrita autobiográfica. Nenhuma fase é aplicada de forma rígida: o ritmo de cada ilha define quanto tempo cada etapa demora.
Imersão em cada ilha antes de qualquer oficina: comunidades, parceiros locais, tensões sociais. A paisagem e a cultura da ilha tornam-se matéria dramatúrgica.
Cerca de 30 mulheres de origens diversas encontram-se semanalmente. Através de exercícios somáticos inspirados em Jacques Lecoq, exploram a memória autobiográfica pelo corpo.
Histórias, gestos e imagens das oficinas compõem um texto partilhado. As participantes votam o que fica. A dramaturgia emerge na horizontal — sem voz autoral única.
Cenografia e figurinos construídos com materiais locais e reciclados. As coroas tecidas à mão e os panos pintados fazem do design um ato de autoria comunitária.
Apresentações públicas em espaços não convencionais — museus, praças, salões. Um documentário curto é exibido gratuitamente em todas as freguesias.
Círculo de chegada
Cada mulher diz como chega. Ninguém entra em cena sem ser ouvida primeiro.
Corpo e voz
Aquecimento somático: respiração, peso, jogo. O corpo desbloqueia antes da palavra.
Improvisação
Exercícios a partir de uma memória, um objeto ou um lugar da ilha.
Escrita e partilha
O que emergiu é escrito e lido em voz alta. Torna-se material da dramaturgia.

Princípios
Percurso
O projeto nasceu no Faial, em 2022, de uma investigação de mestrado sobre autoestima e saúde pública, e percorreu desde então quatro ilhas dos Açores.
2022
A origem: oficinas nascidas da tese de mestrado e publicação de uma antologia de poesia escrita pelas participantes.
2022–23
Oficinas e apresentações comunitárias, com alargamento da rede de parceiros.
2024
Estreia do espetáculo «Depois da Bruma», o texto dramaturógico da ilha das Flores, com 30 participantes.
2025
Documentário «Domingo a Domingo», exibido gratuitamente em 8 freguesias da ilha.

Design
O design não é aplicado no fim do processo — é o processo. Cada elemento visual é construído pela comunidade a partir de materiais locais ou reciclados.

Próxima edição
A edição mais ambiciosa do projeto: operárias da fábrica de atum, trabalhadoras das queijarias, alunas das escolas da Calheta, filarmónicas, coro e um grupo comunitário aberto.
Galeria


