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Oficinas realizadas, em quatro ilhas dos Açores

Setembro de 2022 · Escola Superior de Teatro e Cinema
«Construir poético a partir de memórias do corpo — neste caso, do corpo feminino.»
A Costela de Lilith nasceu entre novembro de 2021 e outubro de 2022 como trabalho de projeto do Mestrado em Teatro — especialização em Teatro e Comunidade, no Instituto Politécnico de Lisboa, sob orientação da Professora Doutora Rita Wengorovius.
Liliana Maria Pacheco Janeiro · Amadora, 29 de setembro de 2022
Consultar a tese de mestrado →5
Oficinas realizadas, em quatro ilhas dos Açores
43
Mulheres participantes, dos 18 aos 70 anos
32
Poemas individuais — 29 publicados em livro
4
Poemas coletivos e quatro vídeo-poemas
Ponto de partida
A investigação partiu de uma constatação incómoda: Portugal é o quinto país europeu com maior prevalência de doença mental (18,4%), a depressão é a segunda causa de doença mental na Europa e afeta desproporcionalmente as mulheres — uma em cada doze mulheres relata diagnóstico de depressão, contra um em cada dezanove homens.
A baixa autoestima está associada a maior risco de depressão. A hipótese do projeto foi simples e radical: usar o processo criativo, a construção poética e a pedagogia teatral como fonte de fortalecimento feminino — «encher o poço não de água, mas de estima, estima por si».
O mito de Lilith — a primeira mulher, que recusou submeter-se e foi apagada da narrativa — deu nome e forma simbólica ao percurso.

O que aconteceu
Oficinas intensivas de dez horas com grupos de mulheres maiores de 18 anos. Cada uma culminou num poema coletivo e em poemas individuais, publicados pela editora Poesia Fã Clube. Das oito oficinas projetadas realizaram-se cinco: a de Santa Maria não avançou por falta de inscrições — numa ilha pequena onde todas se conhecem, o estigma associado a juntar-se um grupo de mulheres pesou mais do que a vontade.
30 de abril a 1 de maio · Associação Azorean Guarani
Poema coletivo: A Vida
6 e 7 de novembro · 9'Circos — Artes Circenses dos Açores
Poema coletivo: Alma
9 e 11 de junho · 9'Circos — Artes Circenses dos Açores
Poema coletivo: Lado Lua
24, 25 e 26 de junho · Coletivo Creativo das Flores
Poema coletivo: Vontades D'Outro Tom
2022 · Associação Azorean Guarani
Poema coletivo: —

O livro
Coletânea publicada pela Poesia Fã Clube com coordenação de Liliana Janeiro, reunindo vinte e nove poemas individuais e os quatro poemas coletivos. Cada poema coletivo ganhou também um vídeo-poema, acessível por QR code impresso nas páginas do livro.
Eu sou cada pequena espiga / Que ressurge por entre a vastidão dos campos. / Eu sou o vento que instiga / A multidão de espigas…
O colo / A planta — dos meus pés — na tua mão / Chão crescente / Uma imagem — uma semente / Brisa quente e doce / Salgada / Verão de afetos / Memória enraizada.
Eu sou caminhante / Da Vida / Transformo-me / A cada instante / Sigo no Caminho / Choro / Rio / Caio / Levanto-me…
Lançamento com sarau poético e conferência, com a UMAR — União de Mulheres Alternativa e Resposta, a 21 de outubro de 2022 na Biblioteca Daniel de Sá, Ribeira Grande, com apoio da Câmara Municipal da Ribeira Grande.
Avaliação
A avaliação usou um questionário final baseado na escala de autoestima de Rosenberg. Na afirmação «fiquei satisfeita comigo própria durante a oficina», 77,3% das participantes respondeu no grau máximo — o mesmo valor registado em «senti que tinha qualidades».
Nem todas as metas iniciais foram cumpridas — oito oficinas, oito lançamentos, oito saraus. Em contrapartida, surgiram resultados não previstos: os quatro vídeo-poemas e os trinta e dois poemas individuais, que se tornaram a marca do projeto.
Legado
«O projeto não se findou com o término do mestrado e continua a elevar outras, noutros sítios.»
Palavras-chave da tese: teatro e comunidade, memória, poesia, autobiografia, mulher, mito.
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